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Economia

Marketing jurídico precisa ir além da IA e redes sociais

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Economia

Para 92% dos executivos participantes da pesquisa feita para o anuário Análise Advocacia 2026, a reputação é um dos principais fatores que os levam a contratar um escritório de advocacia. Nesse cenário, a contratação de serviços especializados de marketing digital e branding para construir posicionamento e firmar autoridade tem se tornado tendência de mercado na advocacia.

Porém, essa ainda não é a realidade de todos os escritórios. Pelo menos até 2022, cerca de 90% dos escritórios de advocacia investiam em marketing internamente, segundo a Análise DNA. Embora não haja muitos dados atualizados sobre escritórios que investem em marketing jurídico in house versus escritórios que contratam assessoria especializada, profissionais de marketing jurídico afirmam que ainda existem muitos escritórios fazendo todo o marketing internamente.

Segundo Alexandre Teixeira, head e sócio-fundador da In Company (agência especializada em marketing jurídico, reconhecida pela Leaders League), muitos escritórios já entendem a importância de investir em marketing digital, mas ainda não fazem isso de forma estratégica. “A maioria dos escritórios não deixa de investir; pelo contrário: produzem conteúdos, contratam mídia paga, atualizam seus sites; mas o erro está na ausência de método”, diz Alexandre. “Na prática, muitos escritórios têm ações de marketing apenas para criar uma presença digital, mas às vezes as suas publicações nem se conectam entre si”, completa.

O custo silencioso do marketing jurídico improvisado

Ferramentas e funcionalidades como a IA e as redes sociais podem passar uma percepção de que o marketing digital pode ser feito com baixo custo e sem expertise na área. Na prática, porém, o especialista aponta que essa mentalidade pode levar a desperdício de recursos e estratégias de marketing menos qualificadas.

Segundo Alexandre, muitos escritórios dispensam assessoria especializada, recrutam profissionais do próprio time comercial ou da área de atendimento técnico para fazer algumas publicações por mês, usando templates e copy genérico. “O erro dessa estratégia está em usar o tempo dos advogados e outros profissionais do escritório, que poderiam estar fechando os negócios e prestando os serviços, para desempenhar atividades para as quais eles não têm expertise e de forma pouco eficaz”, avalia.

O profissional cita como os princípios “vícios” do marketing improvisado sem assessoria especializada: textos não otimizados para SEO (otimização para melhorar performance nos mecanismos de busca), linguagem não adequada para o público-alvo, temas e recortes técnicos demais sem conexão prática com os interesses do público, e até mesmo prática de condutas proibidas pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

E a inteligência artificial?

Ferramentas de IA conseguem acelerar processos e aumentar produtividade, mas isso não cria automaticamente diferenciação competitiva. Pelo contrário: quanto mais empresas utilizam os mesmos recursos, cresce também o risco de padronização da comunicação. Profissionais de marketing e branding já têm notado a popularização de artes feitas com IA, que são consideradas genéricas e reduzem a percepção de valor da marca. Por outro lado, tem aumentado a percepção de valor de marcas que ainda investem em estratégias que denotam trabalho manual, curadoria e criatividade humana. Ao redigir o e-book Marketing Jurídico Digital com o Suporte IA, Alexandre Teixeira destacou que a IA funciona melhor se usada como apoio à inteligência humana, e não como substituta dela. “A IA consegue ajudar empresas a produzir mais rápido, mas velocidade não é sinônimo de relevância”, afirma.

Segundo ele, a tendência é que o mercado passe a valorizar cada vez mais conteúdos com identidade, experiência prática e visão estratégica própria. “Quando todo mundo usa as mesmas ferramentas da mesma forma, o diferencial deixa de ser a tecnologia e passa a ser a capacidade humana de construir percepção, confiança e autoridade”, explica.

Autoridade não se afirma, se constrói

Tradicionalmente, atributos como respeito e credibilidade eram construídos na advocacia meramente pelo “boca a boca”, indicações, pela fama e história que advogados construíam em cidades pequenas ou nichos específicos. Com o aumento de advogados no Brasil ao longo das décadas, a internet passou a ser uma aliada fundamental, o que se refletiu até mesmo nos posicionamentos da própria Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Em 2021, ela editou o Provimento n. 205, expressamente permitindo ações digitais como o marketing de conteúdo, o uso de aplicativos e chatbots, a compra de palavras-chave e o impulsionamento de posts nas redes sociais, entre outras ações.

Diante dessas possibilidades, profissionais como Alexandre acreditam que o marketing jurídico digital é hoje um dos principais meios de fortalecimento de marca na advocacia, sobretudo quando feito por meio da distribuição de conteúdos informativos — o chamado “marketing de conteúdo”.

“Mesmo com algumas limitações e direcionamentos mais específicos da OAB quanto às ações de marketing e publicidade permitidas, é bastante positivo que a OAB encoraje a disseminação de conteúdos informativos, pois essa é também uma das estratégias de marketing mais eficientes”, ressalta Alexandre.

O marketing de conteúdo não é estratégia recente: empresas como a do John Deere o fazem há mais de 130 anos; e, em 1996, Bill Gates disse a icônica frase “conteúdo é rei”, consolidando uma realidade que se desenrolou com ainda mais força anos depois, quando surgiram as redes sociais.

Na advocacia, o marketing de conteúdo é permitido pela OAB e é também uma das ações mais comuns em projetos de marketing jurídico e digital. “É a estratégia perfeita para a advocacia: funciona, constrói autoridade e é permitida pela OAB — que entende isso como papel central do marketing jurídico estratégico: educar, orientar e posicionar, e não vender de forma agressiva”, informa Teixeira. “Produzir conteúdo informativo, esclarecer dúvidas e traduzir o jurídico para o público são práticas que fazem com que o escritório seja percebido como referência, muitas vezes antes mesmo do primeiro contato”, conclui o executivo.



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Economia

Brasil mantém oportunidades apesar de desafios globais

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Tarifas comerciais, eleições presidenciais de 2026, tensões geopolíticas e a corrida global por minerais críticos estiveram no centro do webinar promovido pelo Brazil-Florida Business Council (BFBC) em 18 de junho. O encontro reuniu especialistas com experiência em instituições internacionais, governo dos Estados Unidos e consultorias de risco político para discutir os desafios e oportunidades para o Brasil nos próximos anos.

Entre os temas abordados estiveram os reflexos econômicos dos conflitos no Oriente Médio, as investigações comerciais conduzidas pelos Estados Unidos, o cenário eleitoral brasileiro e o potencial de setores estratégicos como mineração, agronegócio e energia.

Guerra no Oriente Médio e o impacto sobre o Brasil

O economista Otaviano Canuto, ex-vice-presidente do FMI, Banco Mundial e BID, avaliou que os conflitos recentes no Oriente Médio envolvendo o Irã e a região do Estreito de Hormuz reforçaram a preocupação global com segurança energética e cadeias de suprimentos.

Segundo ele, mesmo com a redução das tensões, os efeitos sobre os mercados devem permanecer. “As coisas não serão mais como antes. O prêmio que os países estão atribuindo à segurança energética subiu”, afirmou.

Canuto observou que o movimento favorece investimentos em fontes locais de energia, especialmente renováveis, e alertou para a dependência brasileira de fertilizantes importados, considerados estratégicos para a competitividade do agronegócio.

Tarifas americanas e ambiente de negócios

Kellie Meiman Hock, ex-diretora para Brasil e Cone Sul no Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), deu um panorama das investigações comerciais conduzidas pelo governo americano envolvendo o Brasil.

Ela avaliou que o impacto tem sido parcialmente mitigado pelo número de exceções concedidas. Apesar disso, acredita ser fundamental que empresas brasileiras e investidores mantenham diálogo ativo com autoridades e parceiros americanos. “É o momento de levantar a voz e mostrar onde as importações brasileiras são indispensáveis para a produtividade e a criação de empregos aqui nos Estados Unidos”, ressaltou Hock, destacando que a relação comercial entre os dois países possui características que reduzem o espaço para medidas tarifárias motivadas exclusivamente por razões políticas.

Compliance e riscos regulatórios

O debate também abordou os impactos econômicos decorrentes da classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas estrangeiras (FTOs) pelos Estados Unidos.

Canuto observou que a medida já vem provocando maior preocupação de empresas com processos de compliance e gestão de riscos, especialmente entre companhias que atuam simultaneamente nos dois países.

Bruna Santos, diretora do Programa Brasil do Inter-American Dialogue, analisou que temas de segurança e comércio exterior têm seguido caminhos distintos dentro do governo americano, mas alertou para possíveis pontos de convergência entre as duas agendas. Segundo ela, diferentes órgãos e grupos políticos em Washington atuam de forma relativamente independente na formulação de políticas relacionadas ao Brasil, o que contribui para a complexidade do cenário.

Eleições de 2026 e cenário político

Na avaliação de Silvio Cascione, diretor do escritório brasileiro do Eurasia Group, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece como favorito para a disputa presidencial de 2026, embora o cenário ainda seja considerado competitivo.

“O principal indicador continua sendo a aprovação do governo”, afirmou o analista, destacando que o desempenho da economia e a percepção dos eleitores sobre temas como renda e emprego deverão influenciar a corrida eleitoral e as expectativas de investidores e do mercado.

Minerais críticos e agro ganham protagonismo

Os participantes convergiram ao apontar os minerais críticos como uma das principais oportunidades estratégicas para o Brasil na próxima década.

Canuto destacou o potencial do país, que possui reservas relevantes de lítio, grafite, terras raras e nióbio. No entanto, ainda enfrenta dificuldades para desenvolver cadeias industriais capazes de agregar valor a esses recursos.

Bruna Santos observou que parte significativa do potencial mineral brasileiro ainda não foi mapeada e defendeu avanços regulatórios que aumentem a capacidade de atração de investimentos e reduzam entraves burocráticos.

Além da mineração, o agronegócio foi citado como outro setor com oportunidade de crescimento, especialmente em áreas ligadas à produção de fertilizantes e ao desenvolvimento de tecnologias aplicadas ao campo.

BFBC reforça diálogo econômico entre Brasil e Estados Unidos

Ao encerrar o webinar, a fundadora e presidente do Brazil-Florida Business Council, Sueli Bonaparte, defendeu a importância do intercâmbio de informações e da aproximação institucional para fortalecer as relações econômicas entre os dois países.

Segundo ela, iniciativas como o webinar contribuem para ampliar o entendimento sobre as relações entre Brasil e Estados Unidos e estimular novos negócios e investimentos.



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