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Economia

Governança e compliance ganham espaço na profissionalização

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A atuação das organizações da sociedade civil (OSCs) em áreas como assistência social, saúde, educação, cultura e defesa de direitos vem acompanhada de uma cobrança crescente por profissionalização. À medida que essas entidades ampliam projetos, equipes e fontes de financiamento, também aumenta a necessidade de estabelecer processos capazes de garantir transparência, integridade e responsabilidade na tomada de decisões.

O desafio não se limita à obtenção de recursos. A organização precisa demonstrar que possui condições administrativas para executar os projetos, acompanhar metas, gerir pessoas, controlar despesas e comunicar os resultados alcançados. Esse conjunto de práticas passou a ser observado por órgãos públicos, financiadores privados, parceiros institucionais e pela própria sociedade.

Para Tomáz de Aquino Costa Resende, sócio do escritório homônimo, governança e compliance devem ser compreendidos como instrumentos de sustentabilidade, e não apenas como exigências burocráticas. “A profissionalização do terceiro setor não significa reproduzir modelos empresariais de forma automática. Significa criar mecanismos compatíveis com a realidade da organização para que as decisões sejam tomadas com clareza, os recursos sejam aplicados corretamente e os resultados possam ser demonstrados”, afirma.

Estrutura reduz riscos e melhora decisões

A governança estabelece como a organização é dirigida, quais são as responsabilidades de seus administradores e de que maneira as decisões são registradas e acompanhadas. Em uma OSC, isso pode envolver a atuação do conselho, a definição de alçadas, a separação entre funções administrativas e financeiras e a adoção de políticas internas.

Também é importante estabelecer regras para contratação de fornecedores, recebimento de doações, relacionamento com agentes públicos, proteção de dados, gestão de conflitos de interesses e utilização dos recursos. Mesmo entidades de menor porte podem adotar procedimentos simples, desde que sejam compatíveis com sua estrutura e aplicados de maneira efetiva.

O compliance, por sua vez, reúne medidas destinadas a prevenir, identificar e corrigir condutas que possam contrariar a legislação, os instrumentos de parceria ou os princípios da própria instituição. Entre essas medidas estão códigos de conduta, canais de comunicação, treinamentos, registros de aprovação e rotinas de monitoramento. “O compliance não precisa começar com uma estrutura complexa ou dispendiosa. O primeiro passo é mapear os riscos mais relevantes, identificar quem decide, documentar os procedimentos e criar uma rotina de acompanhamento. O que não pode acontecer é a organização depender exclusivamente da memória ou da boa vontade de uma pessoa”, explica Tomáz.

A ausência de controles pode gerar problemas que ultrapassam o campo financeiro. Uma contratação sem pesquisa adequada, uma despesa sem documento ou uma decisão sem registro podem comprometer a prestação de contas e a credibilidade da entidade.

Transparência fortalece a confiança

A transparência também tem impacto direto na capacidade de uma OSC manter relacionamentos de longo prazo. Doadores, empresas, órgãos públicos e beneficiários tendem a valorizar instituições que conseguem explicar suas fontes de recursos, seus critérios de atuação e os resultados produzidos.

O Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil, instituído pela Lei nº 13.019/2014, estruturou regras para as parcerias entre o poder público e as OSCs. A legislação prioriza o controle de resultados e exige que a execução da parceria possa ser acompanhada a partir de informações e documentos relacionados ao objeto pactuado.

Nesse contexto, governança e compliance devem estar conectados ao planejamento estratégico. Não basta criar documentos formais: é necessário verificar se os procedimentos são conhecidos pela equipe, se os responsáveis têm condições de cumpri-los e se os controles são revisados quando o projeto ou a fonte de recursos muda.

Tomáz de Aquino destaca que a transparência precisa fazer parte da rotina. “Uma organização confiável não espera a prestação de contas ou uma auditoria para reunir documentos e explicar suas decisões. Ela mantém as informações organizadas desde o início, acompanha a execução e corrige eventuais desvios antes que eles se transformem em problemas maiores”, diz.

A profissionalização também contribui para preservar a finalidade institucional. Com processos claros, a organização reduz a dependência de decisões individuais, facilita a transição entre dirigentes e cria condições para que novas pessoas assumam responsabilidades sem interromper os projetos.

Para o advogado, o fortalecimento dos controles deve ser visto como uma estratégia de continuidade. “A boa governança protege a causa, a equipe e os recursos destinados ao projeto. Ao estabelecer regras e responsabilidades, a OSC aumenta sua capacidade de entregar resultados e de manter relações de confiança com todos os públicos envolvidos”, conclui.



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Vivência nas quadras inspira criação do Pró Torneios

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A organização de torneios esportivos envolve diferentes etapas, como inscrições, pagamentos, montagem de chaves, atualização de resultados e relacionamento com patrocinadores. Embora existam plataformas dedicadas a essas atividades, a experiência dos participantes durante e após as competições ainda representa uma oportunidade de desenvolvimento tecnológico.

Foi a partir dessa percepção que a LEP Aplicativos, empresa de tecnologia fundada em Lorena, no interior de São Paulo, desenvolveu o Pró Torneios, plataforma lançada em 20 de outubro de 2026. A solução reúne ferramentas de gestão de competições e recursos de interação entre atletas, organizadores, arenas e patrocinadores.

Da experiência nas quadras ao desenvolvimento da plataforma

A ideia surgiu da própria vivência dos fundadores no ambiente esportivo. Como atletas, eles participaram de torneios em que as ferramentas digitais se concentravam principalmente nas inscrições e nos chaveamentos. Na função de organizadores, identificaram outras dificuldades, especialmente na comunicação com participantes e na exposição das marcas patrocinadoras.

“O jogador treina o ano inteiro, vive o torneio intensamente e a sua experiência digital com os jogos disputados está muito ultrapassada”, afirma Luiz Felipe Lopes, cofundador da empresa. “Quando você é atleta e organizador ao mesmo tempo, percebe que o que falta é uma boa experiência fora das quadras.”

Segundo a empresa, o desenvolvimento do Pró Torneios buscou considerar toda a jornada de participação em uma competição, desde a inscrição até o acompanhamento dos resultados e o relacionamento entre os jogadores após o encerramento do evento.

Experiência anterior em tecnologia esportiva

A LEP Aplicativos atua no setor desde 2021, quando iniciou o desenvolvimento do LEP, sistema de gestão utilizado por escolas esportivas, arenas, professores e profissionais autônomos. A plataforma oferece recursos voltados à gestão financeira e operacional, incluindo cobrança automatizada, divisão de pagamentos (split), reservas e integração com Wellhub e TotalPass, além de outras funcionalidades. De acordo com dados informados pela empresa, o LEP impacta atualmente mais de 60 mil pessoas por mês.

Essa experiência serviu de base para o desenvolvimento do novo produto, principalmente nos processos relacionados à infraestrutura tecnológica, gestão de informações e operações financeiras. “Com o LEP, aprendemos a manter um sistema estável, que milhares de pessoas usam todos os dias, e a cuidar de algo sensível como pagamento”, diz Breno Moura, sócio da empresa. “Levamos todo esse aprendizado de anos para o Pró Torneios.”

A decisão de desenvolver uma plataforma específica para torneios também foi influenciada por demandas recebidas de profissionais do setor que já conheciam os serviços da LEP Aplicativos. “Muita gente chegava até nós perguntando por que não fazíamos um app de torneios. O Pró Torneios é a resposta a esse pedido”, conta Vaner Magalhães, cofundador da empresa.

Gestão de competições e participação dos atletas

O Pró Torneios reúne funcionalidades como inscrições digitais, processamento de pagamentos, geração automática de chaves, acompanhamento de placares em tempo real e perfis esportivos com histórico de participação e resultados. A plataforma também incorpora recursos de comunidade, permitindo que atletas acompanhem publicações, resultados e atividades de outros participantes.

Para os organizadores, o sistema centraliza informações operacionais dos torneios e disponibiliza espaços digitais para a divulgação de patrocinadores e parceiros. A proposta é integrar a presença das marcas à comunicação do evento, ampliando os pontos de contato com os participantes para além dos espaços físicos de competição. O aplicativo contempla modalidades como beach tennis, futevôlei, tênis, vôlei de praia, pickleball, padel, tênis de mesa, entre outras.

Além dos recursos de gestão e acompanhamento esportivo, a empresa prevê o desenvolvimento de funcionalidades voltadas à formação de ligas e rankings. A iniciativa pretende ampliar as possibilidades de utilização da plataforma para além dos torneios tradicionais. “Nosso objetivo é que o atleta abra o Pró Torneios toda semana, e não só quando tem torneio”, explica Luiz Felipe. “Construiremos uma experiência única feita junto com a comunidade.”

Projeções para o primeiro ano

Com a entrada no mercado, a LEP Aplicativos estabelece como metas para os primeiros 12 meses a realização de 1.000 torneios por meio da plataforma e o cadastro de 100 mil jogadores.

A estratégia de desenvolvimento prevê a evolução das funcionalidades a partir da utilização por atletas e organizadores, com foco na integração entre gestão esportiva, histórico de desempenho e recursos de comunidade.

Mais informações sobre a plataforma e suas funcionalidades estão disponíveis em www.protorneios.com.br.

Instagram: @pro.torneios



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