Economia
Restauração produtiva remunera o produtor antes do carbono
Economia
A adequação ambiental exigida pelo Código Florestal costuma ser associada, no campo, à terra parada e a hectares retirados da produção. Essa leitura começa a ser revista com a adoção de Sistemas Agroflorestais (SAFs) e de modelos de restauração produtiva que combinam árvores nativas a culturas de valor comercial, como cacau de sombra, café e castanheiras. A Future Climate Group, por meio da Originals, sua plataforma dedicada a projetos de restauração florestal e remoção de carbono, estrutura parcerias com proprietários privados para converter passivos de Reserva Legal (RL) e de Área de Preservação Permanente (APP) em áreas capazes de gerar receita desde as primeiras colheitas.
A dimensão do desafio aparece nos números. A terceira edição do Panorama do Código Florestal, elaborada pelo Centro de Sensoriamento Remoto da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), estima em 21 milhões de hectares, em média, o déficit de vegetação nativa em RL e APP que demanda recuperação no país. Desse total, entre 16 milhões e 19 milhões de hectares correspondem à Reserva Legal, e de 3 milhões a 3,4 milhões de hectares, à APP. O levantamento avaliou a conformidade de mais de 7 milhões de imóveis registrados no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e apontou que, após 2008, 26% do desmatamento em propriedades rurais ocorreu em APP ou em imóveis com Reserva Legal abaixo do mínimo legal.
A própria legislação admite que a recomposição tenha finalidade econômica. O artigo 66 da Lei nº 12.651/2012 permite recompor a Reserva Legal com o plantio intercalado de espécies nativas com exóticas ou frutíferas, em sistema agroflorestal, desde que as exóticas não ultrapassem 50% da área a ser recuperada, e assegura ao proprietário o direito de explorar economicamente essa área. Em dezembro de 2023, o governo federal instituiu ainda um programa nacional de conversão de pastagens degradadas, com a meta de recuperar até 40 milhões de hectares em dez anos.
Divisão de papéis entre produtor e investidor
O arranjo da Originals parte de uma separação clara de responsabilidades. O produtor rural cede a área, enquanto a empresa assume o investimento em mudas, plantio, insumos, assistência técnica e certificação do carbono removido. Dessa forma, o proprietário regulariza o imóvel sem arcar com o custo de implantação dos projetos.
“Existe uma percepção de que restaurar significa travar a terra, mas o desenho agroflorestal permite que a mesma área cumpra a exigência legal e continue produzindo. O custo de implantação é uma das barreiras mais frequentes para o proprietário, e é justamente essa etapa que a parceria absorve”, afirma Marcelo Haddad, diretor de Soluções Baseadas na Natureza (NBS, na sigla em inglês) da Future Climate Group.
A composição da receita distingue o modelo de iniciativas de restauração voltadas apenas ao carbono. As culturas comerciais consorciadas, como cacau e café, geram fluxo de caixa nos primeiros anos, ao passo que castanheiras e essências florestais nativas sustentam a remoção de carbono de longo prazo, convertida em créditos certificados. A viabilidade dessa combinação encontra respaldo em pesquisa: um estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mostrou que 70% do cultivo de cacau no Pará ocorre em áreas degradadas, em grande parte em sistemas agroflorestais, e identificou a conversão de pastagens em lavouras da cultura.
“A remuneração do produtor não depende da venda do crédito, que tem um ciclo mais longo de verificação e emissão. A colheita sustenta o projeto nos anos iniciais, e o carbono passa a compor a receita à medida que as árvores crescem e a remoção é certificada”, explica Haddad.
Contratos e segurança jurídica
A estabilidade do arranjo depende da formalização. Segundo o diretor, as parcerias são firmadas por contratos de longo prazo que definem as obrigações de cada parte, a destinação das receitas agrícolas e de carbono e as condições de manejo, precedidos de análise da situação fundiária e ambiental do imóvel. A conferência da documentação e da inscrição no CAR, de acordo com Haddad, é condição para que os créditos tenham rastreabilidade e possam ser comercializados com segurança.
O ambiente regulatório também avançou. A Lei nº 15.042/2024 instituiu o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE) e estabeleceu definições para créditos de carbono e para projetos de remoção de gases, o que tende a conferir mais previsibilidade a contratos que envolvem a geração desses ativos em propriedades privadas.
A Originals iniciou as operações com um portfólio de aproximadamente 12 mil hectares em sete regiões do Brasil e do México, com potencial para o plantio de mais de 10 milhões de árvores, conforme informa a empresa. A meta é alcançar cerca de 25 mil hectares até 2035, o que coloca cooperativas agrícolas e grandes proprietários de terra entre os parceiros centrais para a expansão de área. Para o setor produtivo, o modelo indica um caminho em que a regularização ambiental passa a integrar o planejamento econômico da propriedade, e não apenas o cumprimento de uma obrigação legal.
Para mais informações, basta acessar: https://futureclimate.com/
Economia
IA avança nas empresas, mas só 7% a integram à estratégia
Embora 80% das empresas brasileiras já testem ou utilizem inteligência artificial (IA), apenas 7% incorporaram a tecnologia à estratégia de negócios. O contraste é apontado por um estudo realizado pela MIT Sloan Management Review Brasil, em parceria com a TOTVS, que avaliou a maturidade da adoção de IA em 583 empresas de diferentes portes e setores.
A pesquisa revela que a adoção da IA ainda ocorre de forma fragmentada. Atualmente, 40% das organizações mantêm iniciativas distribuídas entre diferentes áreas, sem coordenação, enquanto apenas 7% redesenharam processos de ponta a ponta com a tecnologia.
Nesse cenário, o Índice de Maturidade em IA identificado pelo estudo chegou à média de 6,69 (em uma escala de 0 a 10), o que demonstra oportunidades para avançar da experimentação à integração estratégica.
“O estudo deixa claro que o mercado brasileiro ainda vive uma fase menos estruturada de adoção pulverizada. Usar a inteligência artificial apenas como um assistente isolado, sem atrelá-la às métricas e aos processos vitais da empresa, é deixar de gerar valor”, reflete Gustavo Bastos, vice-presidente de Plataformas e TI da TOTVS.
Desafios da adoção das IAs nas empresas
Para as empresas brasileiras, o estudo indica alguns fatores que podem dificultar essa integração. Entre os riscos de IA apontados pelos participantes estão:
- Vazamento ou uso indevido de dados (46%);
- Falta de qualificação das equipes (36%);
- Erros ou alucinações das ferramentas (32%).
Apesar dessas preocupações, apenas 14% das empresas apresentam uma política formal de governança de IA aplicada a toda a organização.
A dificuldade de mensurar resultados é outro obstáculo. Segundo o levantamento, 86% das organizações não medem os custos associados à IA e 88% não acompanham os resultados financeiros obtidos com a tecnologia.
Por outro lado, 71% relatam processos mais rápidos ou baratos com seu uso, enquanto apenas 31% desenvolveram novos produtos, serviços ou processos a partir da inteligência artificial. Os dados mostram que os benefícios percebidos estão mais concentrados na eficiência operacional do que na inovação.
A integração tecnológica também apresenta desafios. Apenas 8% das empresas afirmam integrar amplamente a IA aos sistemas de gestão, enquanto 46% relatam que suas soluções conseguem acessar automaticamente os dados corporativos.
“Não existe inteligência artificial escalável sem dados organizados, integrados e governança. O desafio hoje deixou de ser apenas a adoção de novas ferramentas e passou a ser a conexão lógica entre os dados, os sistemas e a IA”, explica Bastos.
Nesse cenário, a capacitação de equipes e o uso de IAs especializadas podem auxiliar a transformação. A pesquisa mostra que o uso mais avançado da IA quase dobra entre as que investem em capacitar suas equipes (26% contra 13%).
Esse treinamento também pode contribuir para o uso de inteligência artificial especializada. “Quando especializada, a IA tem o domínio de contextos complexos, que são a essência dos ambientes de gestão das empresas”, destaca Dennis Herszkowicz, presidente da TOTVS.
Apesar dos desafios, a intenção de ampliar os investimentos permanece elevada: 69% das empresas planejam aumentar os recursos destinados à inteligência artificial nos próximos 12 meses. Entretanto, 83% ainda não possuem orçamento e plano definidos para essas iniciativas. O contraste reforça a distância entre o interesse em expandir o uso da tecnologia e a estruturação financeira necessária para acompanhar seus resultados.
“O futuro pertence a quem conseguir transformar essa adoção desestruturada em produtividade mensurável, governada e estratégia de ponta a ponta”, argumenta Bastos.
Sobre a TOTVS
Maior empresa de tecnologia do Brasil, a TOTVS cria soluções para potencializar a evolução das pessoas e das empresas. Com mais de 70 mil clientes no Brasil e em diversos países da América Latina, possui um ecossistema completo de tecnologia: TOTVS Gestão, com ERPs, soluções cross e sistemas especializados que garantem mais produtividade, eficiência e governança; RD Station, com ferramentas digitais de marketing, vendas e relacionamento para as empresas impulsionarem seus negócios e crescerem; e TOTVS Techfin, o ERP banking que oferece soluções de crédito B2B e pagamento para ampliar, simplificar e democratizar o acesso das empresas a serviços financeiros. Nos últimos 5 anos, a TOTVS investiu R$ 3 bilhões em pesquisa e desenvolvimento, com destaque para inteligência artificial, buscando inovar cada vez mais para ser o trusted advisor de seus clientes. As empresas que movem o país confiam na TOTVS. O Brasil que faz, faz com TOTVS.
Para saber mais, basta acessar: http://www.totvs.com.br
Informações da TOTVS para a imprensa:
IDEAL Axicom – totvs@ideal-axicom.com
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