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Economia

Consignado público e estruturas de securitização no Brasil

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Economia

O crédito consignado público consolidou-se como um dos pilares mais estratégicos do sistema financeiro brasileiro. Com uma carteira de quase R$ 690 bilhões, a modalidade reúne atributos que a tornam não apenas um instrumento de inclusão financeira, mas também um ativo de referência para o mercado de capitais.

Servidores públicos respondem por 53% do volume total do consignado no Brasil, enquanto aposentados e pensionistas do INSS representam 41%. Somente a carteira de consignado do INSS soma aproximadamente R$ 284 bilhões, com cerca de 17 milhões de beneficiários ativos.

“O consignado público não é apenas um crédito barato. Trata-se de um ativo estratégico para o mercado de capitais, que combina a estabilidade do funcionalismo público e dos aposentados com a capacidade de captação do mercado de capitais com ancoragem em risco governo, federal, estadual e/ou municipal, resultando em previsibilidade, segurança e baixo risco,” avalia Gabriel Lopes, sócio responsável pelo comercial na VERT.

Da origem ao mercado de capitais: como a securitização transforma crédito público em investimento

A operacionalização do consignado público como ativo de mercado de capitais se dá por meio de estruturas de securitização. No modelo mais difundido, uma instituição financeira, banco ou fintech (originadores), concede empréstimos a servidores e aposentados, cujas parcelas são descontadas diretamente na folha de pagamento ou no benefício do INSS pelos sistemas de averbação (SIAPE, para servidores federais; INSS, para aposentados; e plataformas estaduais e municipais para demais categorias).

Esses contratos, classificados como direitos creditórios, são cedidos a um Veículo de Securitização, podendo ser um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) ou uma securitizadora, que emite títulos no mercado. Investidores institucionais aportam recursos, que viabilizam o pagamento ao originador pela cessão das carteiras. Os fluxos do desconto em folha retroalimentam o veículo, que remunera os investidores ao longo da vida da operação.

“A primeira operação de consignado público que tive a experiência de participar pela VERT foi em 2017 relacionada à securitização de carteira de consignado público de cartão INSS. De lá para cá, não só o apetite de investidor para esse tipo de estrutura se ampliou bastante, como também a sofisticação das transações e os convênios de consignado explorados”, destaca Gabriel Lopes. “Hoje vemos transações, seja de debêntures securitizadas, seja de FIDCs, com os mais variados produtos: empréstimo e/ou cartão INSS, Siape, forças armadas, estados e/ou municípios.”

Riscos e a gestão ativa como diferencial

Ainda que o consignado público seja reconhecido por sua resiliência, a sofisticação crescente das estruturas veio acompanhada de uma compreensão mais apurada dos riscos inerentes. Entre os principais, destacam-se: concentração em um único convênio, risco de fraude e falhas operacionais nos sistemas de averbação, risco de portabilidade (quando o tomador migra o contrato para outra instituição) e risco regulatório decorrente de mudanças nas regras que regem a concessão ou o desconto em folha.

A cadeia de participantes de uma operação estruturada envolve o originador, o veículo de securitização (FIDC ou securitizadora), os administradores e gestores, os investidores, os sistemas de averbação e os próprios tomadores de crédito. Cada elo da cadeia exige monitoramento contínuo e governança robusta para que a performance da carteira se sustente ao longo do tempo.
 
Mercado de capitais em aceleração

O ambiente macroeconômico e regulatório dos últimos anos criou condições favoráveis para a expansão das estruturas lastreadas em consignado público. No mercado de capitais brasileiro, os FIDCs encerraram 2025 com captação de R$ 90,8 bilhões e o patrimônio líquido total da indústria superou R$ 800 bilhões, segundo a ANBIMA. Em 2025, o mercado de capitais como um todo registrou emissões recordes de R$ 838,8 bilhões em ofertas públicas.

Esse avanço reflete uma mudança estrutural: bancos e fintechs passaram a enxergar a cessão de carteiras de consignado como alavanca de liquidez e de crescimento, sem imobilização de capital. Ao mesmo tempo, investidores institucionais encontraram no consignado público uma alternativa de crédito com risco controlado e fluxo previsível.

É nesse mercado em expansão que gestoras especializadas em estruturação e administração de veículos de securitização passaram a exercer ainda mais atuação. A VERT, que atua nesse segmento desde 2017, acumula bilhões em emissões administradas e geridas com lastro em consignado público. Entre as operações realizadas, destacam-se o FIDC BYX Mozart (R$ 1 bilhão), FIDC LARCA (R$ 300 milhões), FIDC Somacred Bach (R$ 1,4 bilhão), FIDC Pine INSS III (R$ 1,25 bilhão) e Debênture BMG (R$ 1,8 bilhão). O conjunto dessas operações supera R$ 5,7 bilhões em emissões estruturadas, evidenciando a escala e a experiência da VERT nesse segmento.

“Todos os envolvidos se beneficiam. Os cedentes e originadores geram liquidez imediata e permitem novos negócios, os investidores acessam um produto de menor risco com baixa inadimplência e o mercado de capitais ganha relevância e credibilidade, movimentando bilhões em emissões de grande escala,” resume Gabriel Lopes.

Expansão dos convênios e sofisticação crescente

As perspectivas para o mercado de securitização com lastro em consignado público são positivas. A diversificação de convênios, com crescente participação de estados e municípios além dos segmentos federais tradicionais, amplia as possibilidades de ativos disponíveis para estruturação. A digitalização dos sistemas de averbação e o amadurecimento regulatório tendem a reduzir fricções operacionais e ampliar a eficiência das operações.

Paralelamente, o avanço do consignado privado, que recentemente superou a marca de R$ 100 bilhões, impulsionada pelo Programa Crédito do Trabalhador (Lei 15.179/25), reforça o protagonismo do crédito com desconto em folha como vetor de democratização do acesso e de desenvolvimento do mercado de capitais no Brasil.

Para o mercado como um todo, o consignado público segue sendo o ativo de referência com uma base sólida sobre a qual novas estruturas de crédito continuarão a ser construídas.



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Trabalhadores nascidos em setembro e outubro recebem abono salarial

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Os trabalhadores nascidos em setembro e em outubro que ganharam até R$ 2.766 com carteira assinada em 2024 recebem nesta quarta-feira (15) o abono salarial de 2026. Neste quarto lote, serão liberados R$ 5,4 bilhões para 4.339.996 beneficiários.

O valor do benefício varia de R$ 136 a R$ 1.621, conforme a quantidade de meses trabalhados em 2024 . O calendário segue de forma escalonada ao longo de 2026, de acordo com o mês de nascimento.

Quem recebe neste lote

Do total de contemplados em maio:

• 3.840.487 são trabalhadores da iniciativa privada, inscritos no Programa de Integração Social (PIS), com pagamento feito pela Caixa Econômica Federal, somando R$ 4,8 bilhões;

• 499.509 são servidores públicos, inscritos no Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), pagos pelo Banco do Brasil, com total de cerca de R$ 600 milhões.

Quem tem direito ao Abono Salarial

Tem direito ao benefício o trabalhador que:

• Está inscrito no Pis/Pasep há pelo menos cinco anos;

• Trabalhou com carteira assinada por no mínimo 30 dias em 2024;

• Recebeu remuneração média mensal de até R$ 2.766 no ano-base;

• Teve os dados corretamente informados pelo empregador no e-Social.

Instituído pela Lei nº 7.998/90, o abono salarial pode chegar até a um salário mínimo, proporcional ao período trabalhado. Os recursos vêm do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), com a habilitação feita pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

Como o pagamento é feito

Para trabalhadores da iniciativa privada (PIS)

• A Caixa Econômica Federal realiza o pagamento prioritariamente por:

• Crédito em conta corrente ou poupança da Caixa;

• Depósito em Poupança Social Digital, movimentada pelo aplicativo Caixa Tem.

Quem não possui conta pode sacar:

• Com Cartão Social e senha em lotéricas, caixas eletrônicos e correspondentes CAIXA Aqui;

• Nas agências, com documento oficial com foto;

• Sem cartão, por meio de biometria cadastrada.

Para servidores públicos (Pasep)

O Banco do Brasil faz o pagamento por:

• Crédito em conta bancária;

• Transferência via TED ou Pix;

• Saque presencial nas agências, para quem não é correntista e não possui chave Pix.

Como consultar

Os trabalhadores podem verificar informações sobre valor, data e habilitação pelos seguintes canais:

• Aplicativo Carteira de Trabalho Digital;

• Portal Gov.br;

• Telefone 158 (Ministério do Trabalho);

• Aplicativos Caixa Tem e Benefícios Sociais Caixa;

• Atendimento Caixa ao Cidadão: 0800-726-0207.

A expectativa é que, em 2026, cerca de 22,2 milhões de trabalhadores recebam o abono salarial.



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