Search
Close this search box.
Cuiabá - MT
--° --°
--°C
carregando...

Economia

Indústria migra cada vez mais para o interior

Publicado em

Economia

Nas últimas quatro décadas, o mapa da atividade industrial do país foi redesenhado. O peso histórico de São Paulo e Rio de Janeiro vem sendo reduzido e a relevância de estados do Sul e do Centro-Oeste, bem como de Minas Gerais, se ampliou. O setor tem deixado os grandes centros e tomado o rumo do interior.

É o que mostra a pesquisa “A Indústria no Território: 40 anos de redistribuição regional da indústria de transformação brasileira”, do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), lançada em maio. O levantamento analisa o período entre 1985 e 2024 e conclui que a indústria de transformação passou por um processo de redistribuição espacial e interiorização – além de ter perdido participação relativa na economia brasileira devido a longos períodos de juros elevados, câmbio valorizado e carga tributária alta, entre outros motivos.

“O crescimento expressivo do agronegócio nas últimas décadas, aliado às dificuldades logísticas e ao custo elevado nos grandes centros, abriu naturalmente novas fronteiras”, avalia José Roberto Colnaghi, Presidente do Conselho de Administração da Colpar Brasil, holding que atua em vários segmentos, como agronegócio, indústria e urbanismo.

Longe das metrópoles

Em vez de permanecer concentrada nas grandes metrópoles do Sudeste, a atividade industrial avançou em direção ao interior do país, especialmente para cidades médias e regiões ligadas ao agronegócio e à expansão logística. “A fábrica de MDF da Colpar Brasil, é um exemplo deste movimento: foi inaugurada em 2018 em Água Clara, no Mato Grosso do Sul, e hoje se destaca no segmento”, diz José Roberto Colnaghi.

De acordo com o estudo, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul foram os únicos estados brasileiros em que a indústria aumentou sua participação no Produto Interno Bruto (PIB) e no emprego estadual ao longo das últimas quatro décadas. Goiás se destacou ao ampliar seu “market share” industrial em 2,53 pontos percentuais no emprego e 2,23 pontos no Valor Adicionado Bruto (VAB). Mato Grosso e Mato Grosso do Sul também registraram ganhos expressivos, consolidando o Centro-Oeste como nova fronteira industrial do país.

“Isso é resultado direto da pujança do agro, uma vez que o Brasil é um dos principais players globais”, constata José Roberto Colnaghi. No ano passado, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), as exportações do setor somaram US$ 169,2 bilhões, um patamar inédito. Este montante representa quase metade (48,5%) do valor total exportado pelo país em 2025.

Levantamento da Harven Business School indica que o Brasil lidera as exportações mundiais em pelo menos nove cadeias produtivas do agronegócio:  café, suco de laranja, açúcar, soja, algodão, celulose, fumo, carne bovina e de frango. Para a Harven, até o final da década, o país poderá deter 40% do mercado mundial de carne de frango, 30% do de carne bovina e 20% do de carne suína. 

Exportação relevante

A região Sul, aliás, é o principal polo nacional de produção de carne de frango, concentrando 77,3% do volume enviado para o exterior, graças a uma cadeia bastante estruturada, industrializada e integrada com pequenos produtores. O Brasil é hoje o maior exportador global desta proteína e abastece 153 países, conforme a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Além da carne de frango, Paraná e Santa Catarina também têm destacada participação em setores de média-alta e alta tecnologia, ligados a máquinas, equipamentos, indústria automotiva, eletrônicos e bens de capital, assim como Minas Gerais. O estudo do IEDI aponta que Santa Catarina ganhou relevância na produção de máquinas e equipamentos elétricos, enquanto Minas Gerais avançou em informática e eletrônicos.

Apesar da redistribuição regional das últimas décadas, São Paulo segue sendo o principal polo industrial brasileiro, liderando em praticamente todos os setores manufatureiros. “O estado tem uma posição consolidada com ativos importantes, como infraestrutura de qualidade e universidades de ponta, além do Porto de Santos, que é o maior e mais importante complexo portuário da América Latina”, pontua José Roberto Colnaghi.

Mas de fato perdeu espaço. De 1985 a 2023, o percentual da indústria paulista no total do PIB estadual caiu de 38,3% para 18,3%. O mesmo fenômeno, com ainda mais intensidade, ocorreu no emprego industrial no estado, que caiu de 37,2% dos postos de trabalho formais em 1985 para 17,1% em 2024.

Novos polos de desenvolvimento

Um dos movimentos mais marcantes observados pela pesquisa é a interiorização da indústria. Em 1985, cerca de um terço dos empregos industriais estava localizado no interior do país. Em 2024, essa parcela chegou a 54,4%. No estado de São Paulo, a mudança foi ainda mais intensa: a participação do interior paulista nos empregos industriais subiu de 29,2% para 52,9%. O avanço ocorreu tanto em setores tradicionais quanto nos de maior intensidade tecnológica.

O estudo atribui essa migração produtiva à saturação das grandes metrópoles, marcada por congestionamentos, custos elevados de transporte, imóveis caros e salários mais altos. “Ao mesmo tempo, cidades do interior passaram a oferecer melhor infraestrutura logística, universidades, centros de pesquisa, incentivos fiscais e custos operacionais menores”, observa José Roberto Colnaghi.

Para o IEDI, a interiorização industrial ajudou a reduzir desigualdades regionais e criou novos polos de desenvolvimento econômico fora das capitais. O processo também contribuiu para frear a desindustrialização em partes do Sul e do interior paulista, onde a manufatura ainda mantém participação relevante na economia local.



COMENTE ABAIXO:

Economia

Trabalhadores nascidos em setembro e outubro recebem abono salarial

Publicados

em

Os trabalhadores nascidos em setembro e em outubro que ganharam até R$ 2.766 com carteira assinada em 2024 recebem nesta quarta-feira (15) o abono salarial de 2026. Neste quarto lote, serão liberados R$ 5,4 bilhões para 4.339.996 beneficiários.

O valor do benefício varia de R$ 136 a R$ 1.621, conforme a quantidade de meses trabalhados em 2024 . O calendário segue de forma escalonada ao longo de 2026, de acordo com o mês de nascimento.

Quem recebe neste lote

Do total de contemplados em maio:

• 3.840.487 são trabalhadores da iniciativa privada, inscritos no Programa de Integração Social (PIS), com pagamento feito pela Caixa Econômica Federal, somando R$ 4,8 bilhões;

• 499.509 são servidores públicos, inscritos no Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), pagos pelo Banco do Brasil, com total de cerca de R$ 600 milhões.

Quem tem direito ao Abono Salarial

Tem direito ao benefício o trabalhador que:

• Está inscrito no Pis/Pasep há pelo menos cinco anos;

• Trabalhou com carteira assinada por no mínimo 30 dias em 2024;

• Recebeu remuneração média mensal de até R$ 2.766 no ano-base;

• Teve os dados corretamente informados pelo empregador no e-Social.

Instituído pela Lei nº 7.998/90, o abono salarial pode chegar até a um salário mínimo, proporcional ao período trabalhado. Os recursos vêm do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), com a habilitação feita pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

Como o pagamento é feito

Para trabalhadores da iniciativa privada (PIS)

• A Caixa Econômica Federal realiza o pagamento prioritariamente por:

• Crédito em conta corrente ou poupança da Caixa;

• Depósito em Poupança Social Digital, movimentada pelo aplicativo Caixa Tem.

Quem não possui conta pode sacar:

• Com Cartão Social e senha em lotéricas, caixas eletrônicos e correspondentes CAIXA Aqui;

• Nas agências, com documento oficial com foto;

• Sem cartão, por meio de biometria cadastrada.

Para servidores públicos (Pasep)

O Banco do Brasil faz o pagamento por:

• Crédito em conta bancária;

• Transferência via TED ou Pix;

• Saque presencial nas agências, para quem não é correntista e não possui chave Pix.

Como consultar

Os trabalhadores podem verificar informações sobre valor, data e habilitação pelos seguintes canais:

• Aplicativo Carteira de Trabalho Digital;

• Portal Gov.br;

• Telefone 158 (Ministério do Trabalho);

• Aplicativos Caixa Tem e Benefícios Sociais Caixa;

• Atendimento Caixa ao Cidadão: 0800-726-0207.

A expectativa é que, em 2026, cerca de 22,2 milhões de trabalhadores recebam o abono salarial.



COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTES

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA