Política
OEA elogia eleição no Brasil, mas aponta preocupação com desinformação
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A Organização dos Estados Americanos (OEA) descreveu a eleição brasileira como uma jornada cívica e pacífica e elogiou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e os Tribunais Regionais Eleitorais por demonstrarem “importante capacidade técnica, logística e organizacional.
A OEA esteve no Brasil nos últimos dias com 91 observadores independentes para observar o processo eleitoral brasileiro. As observações fazem parte do relatório preliminar divulgado hoje pela Organização.
O documento também destaca a ampla participação de pesquisadores, acadêmicos e especialistas nos testes das urnas, o aumento do registro de dados biométricos para 89% desde as eleições de 2024. E a ampliação dos serviços eletrônicos disponíveis por meio da plataforma “Autoatendimento” e do aplicativo móvel e-Título.
Apesar de atestar a lisura do pleito, a organização também relatou “clima de tensão e forte polarização política, com uma manifesta judicialização, confrontos pessoais e narrativas de desinformação destinadas a gerar desconfiança quanto à integridade do sistema eletrônico de votação”.
Pontos de Atenção
Em relação aos pontos de atenção, a OEA destacou a ausência de um debate eleitoral entre os candidatos aos cargos de presidente e vice-presidente da República. Mas reconheceu a realização de inúmeros debates entre candidatos a governadores.
O relatório também citou a “ausência de critérios jurídicos harmonizados na Justiça Eleitoral sobre o uso da imagem real ou gerada por inteligência artificial de pessoas proibidas de participar da política, tanto na propaganda digital quanto na física”.
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Primeiro turno contou com 43% mais eleitores de ao menos 70 anos
O número absoluto de eleitores com 70 anos ou mais que foi às urnas no primeiro turno de 2026 aumentou 43% em relação a 2022. A variação foi calculada em uma análise de microdados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), realizada pelo Movimento Voto 70+ em conjunto com o centro de pesquisa Data8.
Os pesquisadores apontam que esse crescimento foi responsável pelo aumento do número de eleitores que compareceram no primeiro turno de 2026 , que chegou a 125,2 milhões, contra 123,7 milhões em 2022.
O voto é facultativo para cidadãos com 70 anos ou mais, assim como para analfabetos e jovens maiores de 16 e menores de 18 anos.
Mais da metade compareceu
Nas últimas eleições gerais, havia 14,89 milhões de eleitores com 70 anos ou mais e 6,13 milhões foram votar. Já em 4 de outubro de 2026, 8,77 milhões compareceram, entre os 17,25 milhões de 70+ que estavam aptos.
“É a primeira vez, desde 2014, que mais da metade desse eleitorado vota”, destaca a idealizadora do Movimento Voto 70+ e cofundadora do Data8, Cléa Klouri.
Em números absolutos, os idosos com mais de 70 anos contribuíram com 2,64 milhões de votos a mais em 2026, o que representa mais que os 2,2 milhões de eleitores de Brasília, por exemplo .
Por outro lado, entre os menores de 70 anos, o número de votantes caiu de 117,59 milhões em 2022 para 116,51 milhões neste ano ─ um recuo de 1,07 milhão.
Isso aconteceu mesmo que o universo de eleitores aptos tenha se mantido praticamente estável: 141,56 milhões em 2022 e 141,49 milhões em 2026.
Eleitorado decisivo
Cléa Klouri destaca, em entrevista à Agência Brasil , que esse eleitorado ganha ainda mais importância em um pleito tão acirrado e pode decidir a eleição.
“É importante dizer o poder que eles têm de mudar o ponteiro da eleição. É uma quantidade grande de pessoas e são votos que devem contribuir para que essa eleição seja democrática”.
O Movimento Voto 70+ destaca ainda que a abstenção dos eleitores com 70 anos ou mais caiu 9,7 pontos percentuais nessa eleição , de 58,8% em 2022 para 49,1% no primeiro turno de 2026. Para os menores de 70 anos, o percentual subiu de 16,9% para 17,7% na comparação entre os mesmos anos.
Dados regionais
O Norte e o Nordeste tiveram as maiores mudanças de comportamento do eleitorado 70+ entre 2022 e 2026, segundo o levantamento.
No Nordeste, a abstenção baixou de 56,7% para 45,3%, enquanto, no Norte, caiu de 59,1% para 45,5%.
No Sudeste, o percentual caiu menos, de 62,9% para 53%. Mesmo assim, a região concentrou 1,15 milhão de novos eleitores 70+.
Centro-Oeste e Sul tiveram reduções menores, de 6,6 pontos percentuais e 5,9 pontos percentuais, respectivamente.
Mesmo assim, o Centro-Oeste continuou a ser a região com menor abstenção do eleitorado 70+, com 43,8% em 2026.
Destaques estaduais
De acordo com o levantamento, o Pará teve a maior queda de abstenção entre os estados, de 62,3% para 46,7%, o que representa 52% a mais de votantes.
A segunda maior foi no Ceará, de 56,4% para 41,0%. Naquele estado, a alta de 46% dos que compareceram representou um acréscimo de 125 mil votantes 70+.
No Sudeste, São Paulo teve 565 mil votantes nessa faixa etária a mais que em 2022, com uma alta de 42,8% . Isso equivale a quase um em cada cinco novos eleitores 70+ no Brasil.
Para os avaliadores, o desafio de ampliar a participação política dos idosos continua sendo o Rio de Janeiro, que registrou a maior abstenção 70+ entre os estados.
Neste ano, o não comparecimento foi de 58%, ante 66,6% em 2022. Entre as capitais, a fluminense é a que tem a maior abstenção (62,3%).
No Rio Grande do Sul, a abstenção teve queda de 54,3% para 49,1%. O estado tem a maior proporção de eleitores com 70 anos ou mais do país, representando 14,5% do eleitorado.
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