Polícia
Caminhonete cerca fazenda e atiradores disparam dez vezes contra casa de funcionário
Polícia
Uma residência localizada na Fazenda Guarita 03, na zona rural de Rondonópolis (219 km de Cuiabá), foi alvo de um atentado com cerca de dez disparos de arma de fogo na noite deste sábado (30). O crime, motivado por uma intensa disputa possessória de terras, ocorreu por volta das 21h57.
De acordo com o boletim policial, os tiros partiram de uma caminhonete de cor prata que já vinha rondando a sede da propriedade nos últimos dias. No momento do ataque, o solicitante, que trabalha e reside no local, estava dentro do imóvel com toda a sua família, incluindo crianças que por pouco não foram atingidas pelos projéteis.
O funcionário e morador da propriedade relatou aos policiais militares que o veículo suspeito se aproximou da sede e um dos ocupantes abriu fogo diretamente contra a estrutura da casa. Diferente de ocasiões anteriores, em que os atiradores realizavam os disparos apenas nas proximidades do perímetro para intimidar os residentes, desta vez os projéteis atingiram em cheio as paredes da habitação.
Diante do barulho e do impacto das munições, a família precisou se abrigar às pressas para evitar uma tragédia. A situação ganhou contornos ainda mais graves devido à presença de vulneráveis no interior do imóvel durante o atentado. O comunicante detalhou que estava em casa acompanhado de sua esposa, de sua filha, do genro e de mais duas crianças.
No momento exato das investidas, alguns dos disparos romperam a estrutura e atingiram a janela de um dos quartos, cômodo específico onde parte dos familiares estava reunida para se proteger. Apesar dos danos materiais e do pânico generalizado que tomou conta das vítimas, ninguém foi ferido fisicamente na ação.
Ao ser questionado formalmente pela guarnição sobre o que teria motivado o ataque, o trabalhador confirmou que a fazenda é palco de um antigo conflito de posse de terra na região. Ele ressaltou que investidas semelhantes já haviam sido registradas, confirmando o padrão de ameaças decorrente da briga pela área de cultivo.
Os policiais militares realizaram buscas pelo perímetro da fazenda na tentativa de localizar o veículo prata, mas nenhum suspeito foi encontrado. O boletim de ocorrência por disparo de arma de fogo foi oficializado e o caso foi encaminhado para a Polícia Civil para o início das investigações de praxe.
Polícia
Polícia Civil cumpre mandados contra advogados suspeitos de falsificar de decisão judicial para favorecer líder de facção
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagra, nesta quarta-feira (28.10), a Operação Reescrita, para o cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão contra três advogados investigados por suspeita de falsificação de documento público, uso de documento falso e integração em organização criminosa.
As ordens judiciais foram deferidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias – Polo Cuiabá, com base em investigações conduzidas pela por meio da Gerência de Combate ao Crime Organizado e da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco),
As buscas são realizadas em quatro endereços na Capital, sendo três delas nas residencias dos investigados e a quarta em um escritório de advocacia. O cumprimento das medidas é acompanhado por representantes da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT).
Investigação
As investigações iniciaram após a GCCO/Draco tomar conhecimento de uma suposta decisão judicial que determinava estudos específicos de comportamento que beneficiassem e flexibilizasse a vinda um criminoso, apontado com vice-presidente de uma facção criminosa, preso da Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, para a Penitenciária Central do Estado (PCE), em Mato Grosso, antes do término do prazo de permanência estabelecido em decisão judicial anterior.
Segundo os elementos apurados, em junho de 2025, foi apresentado um pedido judicial para a transferência do preso. Meses depois, em dezembro do mesmo ano, dois dos advogados investigados compareceram ao gabinete de uma unidade judicial em Cuiabá e solicitaram providências relacionadas ao cumprimento de uma suposta decisão, que teria sido proferida em novembro de 2025.
Na ocasião, eles apresentaram uma cópia do documento, posteriormente encaminhada por um dos advogados investigados ao contato institucional do gabinete. Durante a verificação, servidores da unidade judicial constataram que a decisão não havia sido proferida pelo magistrado e não estava registrada no processo.
Também foram identificadas inconsistências no documento, incluindo um código de validação vinculado a outro processo e diferenças em relação aos padrões dos documentos oficiais do sistema eletrônico de execução penal. A análise técnica do arquivo apontou indícios de edição externa.
Os elementos reunidos nas investigações demonstraram que uma das investigadas teria participado da elaboração ou edição do documento, enquanto os outros dois advogados teriam atuado na apresentação e utilização do arquivo perante o Poder Judiciário.
Ordens judiciais
Diante das evidências, foi representado pelos mandados de busca e apreensão contra os investigados com o fim de esclarecer a origem do documento, as circunstâncias de sua produção e circulação e a participação individual dos envolvidos.
As buscas têm como objetivo localizar celulares, computadores, notebooks e outros dispositivos eletrônicos, além de documentos e mídias que possam contribuir para o esclarecimento dos fatos.
Nome da operação
O nome Reescrita faz referência à suspeita de que uma decisão judicial já existente, relacionada à permanência do preso em penitenciária federal, teria sido utilizada como referência para produzir um novo documento, que teria sido reescrito pelos investigados, atribuindo-lhe outro sentido e simulando uma decisão posterior que autorizaria o recambiamento do custodiado para Mato Grosso.
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