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Economia

B3 passa a aceitar FIIs como garantia em operações

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Economia

A B3 passou a aceitar, neste mês, cotas de Fundos Imobiliários (FIIs) como garantia em operações que exigem margem, como derivativos e operações estruturadas. Inicialmente, 28 FIIs estarão habilitados para cobertura de margem de risco, iniciativa que amplia o leque de ativos elegíveis na bolsa brasileira e fortalece o posicionamento estratégico do segmento.

A mudança deve ampliar o espaço dos FIIs entre os investidores institucionais, que atuam com mais frequência em operações de maior complexidade. Na prática, os FIIs poderão ser utilizados como garantia em operações registradas na Câmara B3, que atua como contraparte central das negociações.

A iniciativa é vista pelo mercado como mais um passo no amadurecimento da indústria de Fundos Imobiliários no Brasil, ao aproximar o segmento de práticas já adotadas em mercados internacionais e ampliar a eficiência na alocação de capital dos investidores, como ocorre com os REITs (Real Estate Investment Trust) no exterior.

Para o sócio e diretor da Devant Asset, Christiano Moreira, a mudança pode fortalecer a liquidez e a relevância dos fundos imobiliários no mercado de capitais brasileiro.

“A decisão da B3 representa um passo relevante para o mercado de FIIs, ao ampliar a funcionalidade desses ativos nas estratégias de investimento. Com a nova regra, os cotistas poderão utilizar suas cotas como garantia em operações financeiras sem a necessidade de vender posições, mantendo a exposição ao setor imobiliário e a geração de renda recorrente”, analisa o gestor.

Na avaliação do sócio-diretor, a mudança também potencializa o interesse de investidores institucionais pelo segmento. “Quando um ativo passa a ser aceito como garantia, ele ganha maior utilidade econômica e importância dentro da estrutura do mercado financeiro. Isso favorece o aumento da liquidez e o desenvolvimento da indústria de FIIs no longo prazo”, reforça Moreira.

Medida pode ampliar sofisticação do mercado

A expectativa do mercado é que a novidade também estimule estratégias mais sofisticadas de alocação e gestão de patrimônio, especialmente entre investidores profissionais. A utilização dos FIIs como garantia permite maior flexibilidade operacional sem a necessidade de venda das cotas, mantendo a exposição ao setor imobiliário e à distribuição de rendimentos.

Como a B3 estabeleceu critérios mínimos de liquidez, presença em pregão e volume de negociação, a tendência é que esse recorte seja feito com os maiores fundos do mercado. Com a inclusão dos FIIs, a bolsa passa a contar com 21 categorias de ativos aceitos como garantia em operações com contraparte central.



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Gestão documental do escritório contábil em ano eleitoral

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Escritórios de contabilidade que atendem muitos clientes convivem o ano inteiro com um desafio operacional silencioso: receber, conferir e organizar documentos que chegam por WhatsApp, e-mail, drives pessoais e links avulsos. Sem um canal estruturado, cresce o risco de perda de arquivos, duplicidade de versões e dificuldade de localização, e esse risco se intensifica sempre que o volume documental aumenta.

Em 2026, esse volume tem um pico previsível. A temporada de prestação de contas coloca escritórios contábeis diante de prazos definidos e de uma quantidade expressiva de documentos por cliente: notas fiscais, contratos com fornecedores, extratos bancários, comprovantes de pagamento, relatórios de gastos e documentos de encerramento. Cada conjunto precisa estar conferido e rastreável antes das datas de envio, e não nos dias que as antecedem.

O problema, na prática, raramente é técnico ou jurídico. É logístico. E tende a se agravar na mesma proporção em que cresce o número de clientes atendidos ao mesmo tempo.

No contexto eleitoral, em que esse volume atinge o pico, o desafio fica ainda mais evidente. Para Edivan Miranda, instrutor de contabilidade eleitoral do Conselho Regional de Contabilidade de São Paulo (CRC-SP), especialista em prestação de contas eleitorais e partidárias e diretor da EIG Assessoria Contábil, a questão é estrutural. “Quando a campanha começa, os documentos começam a chegar de todos os lados. Se o escritório não tem uma estrutura pronta para receber e separar tudo por candidato desde o primeiro dia, os últimos dias antes do prazo viram uma operação de resgate, e é aí que os erros aparecem”, afirma.

Para ele, a conferência cruzada entre extratos bancários e documentos comprobatórios é o ponto mais crítico. “Cada entrada de dinheiro nas contas bancárias de campanha precisa ter documentação comprovando a origem dos recursos. Fazer isso manualmente com vários candidatos, usando arquivos espalhados em conversas de WhatsApp, é inviável sem retrabalho”, completa.

A percepção reflete um movimento mais amplo no setor. Para Karoline Ribeiro, executiva de negócios da SEPTE com passagem pelo setor contábil, a busca por organização não é novidade para quem acompanha a maturidade tecnológica das empresas de contabilidade. “O setor de contabilidade possui altíssimo grau de evolução tecnológica e é hoje um dos mais focados em melhorias digitais”, observa.

Segundo a executiva, a procura por ambientes centralizados de recebimento e controle de documentos cresceu de forma consistente dentro da base de clientes da empresa à medida que os períodos de maior volume se aproximam. Para a SEPTE, é um sinal de que os escritórios passaram a tratar a organização documental como parte da operação, e não como tarefa de última hora.

Algumas medidas ajudam a reduzir os riscos operacionais quando o volume de documentos aumenta. A primeira é definir um canal único de recebimento por cliente, com registro de quem enviou, o que enviou e quando. Outra é padronizar a estrutura de pastas, separando os documentos por cliente e por categoria, como receitas, despesas, contratos, extratos e encerramento. Também vale estabelecer regras de nomeação de arquivos, com identificação clara de cliente, fornecedor, data e natureza do documento. O controle de permissões de acesso garante que cada pessoa visualize ou envie apenas os documentos pertinentes à sua função, prática também alinhada à Lei Geral de Proteção de Dados. A conferência cruzada entre extratos e documentos comprobatórios deve ser periódica, sem se concentrar nos dias finais. Por fim, antecipar a coleta documental, orientando os responsáveis com o máximo de antecedência, evita o acúmulo de última hora.

Tratada dessa forma, a organização documental deixa de ser uma etapa administrativa de fim de processo e passa a funcionar como uma camada de governança que reduz o retrabalho e preserva a rastreabilidade das informações ao longo de todo o período.

Orientações práticas sobre como organizar os arquivos recebidos durante a prestação de contas estão reunidas em um guia no blog da SEPTE, disponível no site.



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