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Designer de joias Leticia Linton se lança na literatura
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Antes de estrear na literatura, Leticia Linton já havia vivido muitas vidas. Foi estilista, empresária, designer de joias de projeção internacional e facilitadora de imersões de autoconhecimento. Agora, soma mais uma identidade ao currículo: a de autora, com o lançamento do seu primeiro romance, Uma Alma Inquieta (Editora Labrador).
“Dentro de uma mulher, cabem muitas”. A frase que inspira a obra também ajuda a compreender a própria autora. Reconhecida por suas joias usadas por nomes como Zendaya, Cate Blanchett, Chrissy Teigen e Demi Lovato, Leticia construiu uma carreira consolidada no luxo antes de mergulhar em um processo de transformação pessoal após enfrentar um burnout.
Tudo começou em uma viagem de autodescoberta para a Costa Rica, onde a designer de joias deu início a uma busca individual por respostas. Isso acabou se tornando também trabalho: nasceram as imersões Enjoy e Breathe, experiências voltadas à autoaceitação, espiritualidade e conexão pessoal.
“Acho que minha alma implodiu”, conta. “Então fui parar na minha primeira imersão de autoconhecimento, que acabou me dando insights que anos de terapia não tinham me dado”.
Agora, essa mesma inquietação ganha forma na literatura. Em seu primeiro livro, Leticia transforma dores, afetos, vulnerabilidades e desejos femininos em ficção, ampliando uma trajetória que sempre pareceu atravessada pela necessidade de criar.
Com raízes libanesas, a trajetória de Linton começa em Andradina, no interior de São Paulo, na divisa com Mato Grosso do Sul. Aos 13 anos, mudou-se para a capital paulista e, pouco tempo depois, começou a trabalhar para conquistar a própria independência. “Nasci para trabalhar, para ser independente, para me aventurar”, resume.
Ainda jovem, cursou estilismo e teve a primeira filha. Depois, durante o segundo casamento, decidiu desacelerar a carreira para se dedicar à maternidade, escolha que hoje revisita com sinceridade. “Eu tinha aquela ilusão da minha geração. Tinha muitas amigas bem-casadas e quis brincar de casinha”, recorda.
Foi justamente em um período de desemprego do marido que surgiu a joalheria. Depois de passar cerca de quatro anos sem trabalhar formalmente, Leticia começou revendendo peças para levantar dinheiro, até perceber que precisava retomar sua própria ambição. “Demorei para entender quem é a Leticia, desbravadora mesmo”, afirma. Em 2004, decidiu apostar de vez no negócio: embarcou sozinha para uma viagem de trabalho e voltou transformada. “A Leticia que subiu naquele avião desceu outra. Desceu quem eu sou: focada, empreendedora. E a joalheria nasceu de fato”.
A partir de 2007, a marca começou a ganhar projeção internacional, abrindo caminho para que suas criações chegassem a tapetes vermelhos e fossem usadas por atrizes e celebridades ao redor do mundo.
Para a empresária, trabalhar a autoaceitação, reconhecer suas vulnerabilidades e entender o que é preciso mudar é o primeiro passo para superar momentos difíceis. Suas imersões vieram justamente em um momento de vida em que se sentia sufocada. Dessas experiências nasceu o “Método Enjoy”, criado por ela para reunir práticas e reflexões voltadas ao autoconhecimento.
A ideia do seu primeiro romance surgiu das imersões. Um processo descrito por ela como “orgânico e terapêutico” e que durou nove meses. “Eu sempre encontrei na escrita uma forma de expressar minhas solidões e angústias. Tenho diversos textos e meio-livros começados”, conta.
‘Uma Alma Inquieta’
Uma Alma Inquieta acompanha uma empresária de sucesso em um casamento longo e entediado, que decide viajar por vários países, onde acontecem inúmeros reencontros. “Um manifesto sobre a coragem de testar limites e a decisão inadiável de nascer de si mesma”, diz a sinopse.
“O livro tem muito de mim, mas não é minha biografia”, adianta Linton.
No papel de Corinna, a protagonista que decide testar seus limites, Linton quis mostrar que “dentro de uma mulher cabem muitas”. “Eu quis humanizar ao máximo a protagonista. Eu quis provocar. Mostrar que, às vezes, a vida nos traz surpresas que não esperamos”, conta.
O grande feito do romance é justamente o fator de identificação da personagem com as leitoras e mulheres reais. “Para Corinna se soltar e viver tudo o que ansiava viver, ela quis ter certeza de que o marido e os filhos estavam bem. Então eu quis mostrar como que é a mulher: sempre colocando os outros em primeiro lugar”, explica.
A história de uma mulher independente, vivendo as dores e dilemas femininos e ainda encontrando a coragem para viver sua própria liberdade e propósito, vem tendo uma recepção calorosa. “Recebi a notícia de que houve um pedido de 500 livros para uma loja, dois meses atrás”, comemora. “Também vi mulheres dizendo que chamariam as amigas para os lançamentos; eu nem sabia que eu tinha uma comunidade assim”, completa.
Com o sucesso do primeiro livro — e o desejo de vê-lo adaptado para o audiovisual — Leticia já trabalha em seu segundo romance. Desta vez, a história terá o Líbano como pano de fundo e será construída em duas linhas temporais.
Quando questionada sobre o que diria a uma mulher que deseja viver sua melhor versão, Leticia resgata uma das lições vividas pela sua personagem: a autoaceitação. “Viver a melhor versão de si é descobrir a tua voz, a tua força, escutar a tua intuição e seguir o que você veio fazer. Doe a quem doer”, aconselha.
As joias, as imersões e a literatura podem parecer caminhos distintos. Para Leticia, porém, todos nasceram da mesma inquietação. Uma inquietação que a levou a desviar a rota mais de uma vez ao longo da vida — e que agora encontra uma nova forma de expressão na ficção.
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Expansão da cannabis expõe falta de formação técnica no BR
O crescimento do uso medicinal da cannabis no Brasil, que já soma centenas de milhares de pacientes e pode atingir milhões nos próximos anos, segundo estimativas da consultoria Kaya Mind, tem exposto uma lacuna estrutural no setor: a ausência de formação técnica formal para profissionais que atuam na cadeia produtiva.
As projeções indicam cerca de 873 mil pacientes em tratamento em 2025, com potencial de expansão para até 6,9 milhões de pessoas. O mercado associado ao segmento pode alcançar aproximadamente R$ 9,5 bilhões, caso haja consolidação regulatória e ampliação do acesso.
Apesar da expansão da demanda, o país ainda não possui um sistema estruturado de formação técnica voltado especificamente à cannabis medicinal. Atividades como cultivo, processamento, extração, controle de qualidade e desenvolvimento de derivados não contam com padronização educacional oficial ou currículo técnico consolidado.
Na prática, a capacitação de profissionais ocorre de forma descentralizada, por meio de associações de pacientes, iniciativas privadas e experiências práticas acumuladas, sem integração com universidades, institutos federais ou políticas públicas de formação profissional.
Esse cenário tem impulsionado o surgimento de iniciativas educacionais privadas voltadas ao setor, que passam a ocupar uma lacuna ainda não atendida pelo poder público.
Em São Paulo, a ACCURA, associação voltada ao apoio de pacientes em uso de cannabis medicinal, passou a estruturar a ACCURA ENSINA, um braço educacional com cursos presenciais voltados a cultivo, manejo de solo, agricultura natural e extração de cannabis medicinal.
A iniciativa surge em meio à expansão do mercado e à necessidade crescente de profissionalização da cadeia produtiva, especialmente em um ambiente regulatório ainda em desenvolvimento.
A fundadora da ACCURA, Paula Cardoso Zomignani, iniciou sua trajetória no setor a partir de uma demanda familiar relacionada ao uso terapêutico da cannabis. Em entrevista à revista Forbes, afirmou que o avanço do setor depende da ampliação do acesso ao conhecimento.
“A próxima etapa da cannabis medicinal no Brasil não é apenas o acesso ao produto, mas o acesso ao conhecimento”, disse.
Segundo a mesma publicação, a associação movimenta cerca de R$ 1,2 milhão por ano, atuando de forma híbrida entre atendimento a pacientes, desenvolvimento de metodologias próprias e formação técnica.
A ACCURA ENSINA estruturou uma agenda de cursos presenciais para 2026:
- 25 e 26 de julho – Manejo de solo, com Maneco Zago
- 29 e 30 de agosto – Extração de cannabis medicinal, com Felipe de Castro
- 19 e 20 de setembro – Manejo de matrizes e reprodução de clones, com Just a Nother Grower
- 14 e 15 de novembro – Agricultura natural e biorremediação, com Lucas Arruda
- 5 e 6 de dezembro – Extrações sem solventes, com Bob (Tiago Haus) e Bubble Farmer
Além das formações, a escola também oferece visitas técnicas agendadas com duração aproximada de três horas, permitindo que interessados conheçam a estrutura de cultivo e os processos educacionais e produtivos da associação.
A ACCURA afirma que a iniciativa está aberta a investimentos públicos e privados, com o objetivo de ampliar a capacidade de formação e estruturar expansão nacional. A proposta é atender à demanda crescente por profissionais qualificados em um mercado que tende a se expandir com o aumento do número de pacientes e a evolução do marco regulatório.
Especialistas do setor apontam que a falta de mão de obra qualificada pode se tornar um dos principais limitadores da expansão da cannabis medicinal no Brasil, especialmente em áreas que exigem padronização técnica, rastreabilidade e controle de qualidade.
Nesse contexto, iniciativas educacionais privadas começam a ocupar um espaço que ainda não foi estruturado por políticas públicas de formação técnica, acompanhando um setor em crescimento acelerado, mas ainda em fase de consolidação institucional.
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